Em meio à pandemia, Ministério da Saúde perde 3,2 mil servidores públicos

07/10/2020

Órgão lidera aposentadorias na administração pública federal. Fiocruz e Anvisa, que trabalham contra a Covid-19, também tiveram perdas

Planejar compras, organizar a estratégia sanitária, negociar contratos para aquisição de testes e vacinas contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus: essas são algumas das atividades que se tornaram primordiais ao Ministério da Saúde em meio à pandemia.

A pasta, contudo, perdeu 3.282 servidores até agosto de 2020. É o órgão da administração pública federal que mais registrou aposentadorias.

Para se ter dimensão, somente o Ministério da Saúde representa 30,4% do total de vacâncias e lidera o ranking no serviço público. Ao todo, 10.789 servidores se aposentaram este ano. Atrás do Ministério da Saúde, estão as pastas da Economia, com 3.008 afastamentos (27,8% do total), e da Educação, com 2.341 (21,7%).

A maior perda foi na estrutura direta do próprio Ministério da Saúde. Somente ela teve 3.015 baixas — 91,8% do total. A estatística faz parte de um levantamento do Metrópoles com base em dados compilados pelo Painel Estatístico de Pessoal, plataforma alimentada pelo Ministério da Economia.

Órgãos ligados à pasta também tiveram servidores deixando seus quadros, sendo o maior destaque a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A autarquia teve 161 aposentadorias. O ranking é composto ainda por órgãos de trabalham diretamente com o enfrentamento da pandemia.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por exemplo, trabalha no desenvolvimento e na produção da vacina contra a Covid-19. Ela perdeu este ano 79 funcionários. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula a entrada de medicamentos e vacinas no país, assistiu a 26 servidores deixarem o órgão. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou uma aposentadoria.

Pelo país Duas regiões centralizam as baixas: Sudeste e Nordeste. Juntas, elas tiveram 2.630 aposentadorias — 80% do total. Iniciativa é da equipe do Ministério da EconomiaThiago S. Araújo/Especial para o Metrópoles Reforma do governo prevê fim da estabilidade dos servidoresMichael Melo/Metrópoles Michael Melo/Metrópoles Michael Mello/Metrópoles Michael Melo/Metrópoles Michael Melo/Metrópoles Iniciativa é da equipe do Ministério da EconomiaThiago S. Araújo/Especial para o Metrópoles Reforma do governo prevê fim da estabilidade dos servidoresMichael Melo/Metrópoles 1 Norte e Centro-oeste tiveram 573 afastamentos (17,5%). A região Sul foi a que menos perdeu servidores federais da saúde: 79. Isso representa apenas 2,4% do total.

“Alertas”

Segundo a Confederação dos Servidores do Serviço Público Federal (Condsef), alertas sobre o avanço dessa situação já vinham ocorrendo há quatro anos. “A força de trabalho está ficando envelhecida e não está sendo reposta. Isso há três, quatro anos. Mas, desde o ano passado, a situação tem se agravado”, explica o secretário-geral da Condsef, Sérgio Ronaldo da Silva, ao dizer que a pandemia deixou a situação ainda mais crítica.

Com as suspensão dos concursos públicos e com os debates da reforma administrativa, a reposição de servidores deve ficar ainda mais restrita. “A tendência é piorar, sobretudo durante a pandemia em que trouxe problemas graves”, aposta o sindicalista.

Versão oficial
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que possui um total de 46.186 ativos ocupantes de diversos cargos. Segundo a pasta, as aposentadorias representam 6,61% da força de trabalho. “As aposentadoria não impactaram nas ações de enfrentamento à Covid-19”, resume o texto.


Jornal Metrópoles

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