Servidores ameaçam greve
 


25/11/2019


Servidores públicos das três esferas de governo se articulam e prometem deflagar uma greve nacional, como forma de pressionar o governo federal frente à ameaça de perdas para a categoria, previstas na proposta de reforma administrativa, como o fim da estabilidade para novas contratações e a redução de até 25% da jornada e dos vencimentos do funcionalismo, dispositivo que consta da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial.

Os sucessivos adiamentos da apresentação da proposta de reforma administrativa pela equipe econômica é um dos reflexos dos alertas que têm sido dados ao Executivo por parlamentares que participam das negociações da categoria. O início da greve é uma das decisões que poderão ser tomadas, na próxima terça-feira, em Brasília, durante uma reunião plenária organizada por oito centrais sindicais. A articulação tem potencial de provocar instabilidade política, a exemplo do que ocorre nos países vizinhos ao Brasil. 

Esta semana, a onda de protestos chegou à Colômbia, depois de Peru, Equador, Chile, Haiti e Honduras. Em Brasília, há um temor de que eventuais manifestações de servidores públicos atraiam a adesão de outras categorias profissionais descontentes com a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, o que poderia agravar ainda mais o clima de tensão nas ruas.

O envio ao Congresso, pelo presidente Jair Bolsonaro, do Projeto de Lei que trata do excludente de ilicitude é outro motivo de preocupação do Planalto. Embora o chefe do governo tenha relacionado a medida ao reforço ao combate à criminalidade, o projeto também estabelece normas aplicáveis aos militares em operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e às várias forças de segurança. 

Plenária

Na terça-feira (26/11), o Teatro dos Bancários de Brasília vai sediar a Plenária Nacional em Defesa dos Serviços Públicos Municipais, Estaduais e Federais, das Estatais, do Brasil e dos Trabalhadores. O encontro vai discutir as privatizações de estatais e as reformas no funcionalismo. A pauta de propostas a serem deliberadas no evento deve incluir uma articulação junto ao Congresso, manifestações públicas e a greve.

“Com toda certeza, acreditamos que sairemos da Plenária com a agenda de manifestações e com encaminhamentos para pressões no Congresso Nacional e para discussão com as bases. A possibilidade de greve também não está descartada. A Plenária que deliberará sobre isso, mas temos visto muitos servidores pedindo paralisação”, disse Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

A Plenária em Brasília vai acontecer uma semana depois da reunião realizada no dia 18, na sede do Sindicato dos Químicos de São Paulo, entre lideranças de várias centrais sindicais brasileiras e políticos de partidos de oposição — PT, PSB, PCdoB, PDT, PSOL e Rede, com representantes dos trabalhadores do Chile e da Argentina. Segundo o site da CUT, o Encontro Emprego e Desenvolvimento debateu estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, que vem sendo implementado na América Latina.

Após um mês de rebeliões populares, Tamara Muños, diretora da Central Unitária de Trabalhadores (CUT-Chile), disse que “o país vive um momento de esperança na luta contra o neoliberalismo, que em sendo implementado há 30 desde o regime do general Augusto Pinochet e levou população à miséria”. Por sua vez, Roberto Bradel, secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), defendeu a união dos movimentos sociais e centrais sindicais em torno de uma agenda comum contra o que considera retrocessos impostos à classe trabalhadora. 

Correio Braziliense
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